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O desafio da integração de crianças estrangeiras nas escolas

  • Foto do escritor: Sinapse Agência de Publicidade e Propaganda da UFPR
    Sinapse Agência de Publicidade e Propaganda da UFPR
  • 9 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura
As dificuldades que milhares de crianças vivenciam para se integrarem ao ambiente de aprendizado em outro país 

Por: Maria Flávia Ferreira

A imigração é um tema cada vez mais presente na vida dos brasileiros, o número de imigrantes aumentou consideravelmente nos últimos anos por conta de grandes crises humanitárias, como na Venezuela, Haiti e Colômbia. Além do nível de vulnerabilidade por conta de todo processo imigratório, xenofobia e barreiras linguísticas são grandes problemas. Em maio de 2019, haviam mais de 4 mil alunos estrangeiros matriculados na rede estadual de ensino do Paraná, por volta de 76 diferentes nacionalidades. 

   Apesar de a imigração ser uma realidade, as escolas não estão prontas para receber estudantes de outras nacionalidades. Segundo a professora da rede municipal, Mara Vieira, a comunicação é um obstáculo tanto para professores quanto para os outros estudantes. Trabalhando com alunos pré-escolares e do 1º ano do ensino fundamental, ela relata algumas dificuldades: “Para nós que somos da alfabetização, as crianças ainda estão desenvolvendo a oralidade, eles já tem os errinhos deles por estarem aprendendo a falar. No início não entendemos o que eles falam, e não conseguimos nos comunicar, a gente vai aprendendo na raça. É bem difícil a comunicação” 

“Recebi um aluno na pré-escola, ele tentava brincar com as crianças e elas o evitavam por não entender o que ele falava” 

O acolhimento nas escolas é o melhor caminho para a integração. Arte: Maria Flávia Ferreira

    A professora conta que ainda não tiveram nenhuma formação para aprender a lidar com as diferenças culturais e não tem apoio pedagógico para resolver as questões de idioma, estes são alguns dos motivos que dificultam a integração dos alunos estrangeiros. Isabella Maria, de 10 anos, é venezuelana e está há cinco anos no Brasil. Ela foi alfabetizada aqui, e embora não tenha muitas lembranças da fase de adaptação, conta que não tem dificuldades para se relacionar com os professores e colegas. Sua mãe, Mariangeles, comenta que teve medo de como seria a adaptação da filha:  “Por ela ser pequena, eu tinha medo de como seria esta adaptação, de como iriam tratá-la. Mas em pouco tempo, ela já estava adaptada, os professores sempre comentavam nos fins de semestre como estava indo tudo bem” 

"Quando ela entrou na escola, era a única venezuelana, agora na sala dela tem outras nove crianças venezuelanas" 

   Mãe e filha também falaram que apesar da rápida adaptação, o fato de a maioria dos profissionais não falar outros idiomas pode ser um empecilho muitas vezes. Crianças mais velhas tendem a ter mais dificuldade para aprender a lidar com as diferenças e a falta de preparo no ambiente escolar atrapalha nesta fase inicial de desenvolvimento. Apesar das escolas estarem incluindo maneiras de acolher melhor estas crianças, há um longo caminho a ser percorrido. É necessário incentivar a integração entre as crianças, apoio pedagógico aos funcionários e acima de tudo ensinar todos a respeitarem as diferenças culturais. É imprescindível que seja ofertado aos alunos estrangeiros, as mesmas oportunidades de desenvolvimento oferecidas para crianças brasileiras.

 
 
 

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