A morte e os ‘praxes’ do jornalismo
- Sinapse Agência de Publicidade e Propaganda da UFPR
- 28 de nov. de 2022
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O recente falecimento de personalidades tão notáveis para a cultura brasileira suscita reflexões sobre a escrita de obituários
Por Allan Alexandre Carneiro
As últimas semanas deste mês de Novembro foram marcadas pelo falecimento de diversas personalidades da vida pública. Mais recentemente, Erasmo Carlos, mas também Gal Costa, Rolando Boldrin e Roberto Guilherme. Essas grandes perdas para a cultura brasileira movimentam as discussões e suscitam pronunciamentos e homenagens, como as breves biografias comumente feitas pelos veículos de comunicação. Mas a pergunta que fica é: como são feitas essas coberturas se a morte é, muitas vezes, imprevisível?
Em geral os jornais, revistas e blogs de notícia se preparam para a eventual morte de pessoas conhecidas. É um tanto mórbido cogitar o falecimento de alguém, mas grandes reportagens sobre a trajetória e as conquistas de Gal Costa, por exemplo, não foram produzidas de um dia para o outro em sua maioria.
Fato que evidenciou isso foi a publicação acidental do obituário da Rainha Elizabeth 2ª pela Folha em abril deste ano. Em retratação, o jornal publicou uma nota em que explicou que é de 'praxe' do jornalismo redigir com antecedência esse tipo de texto.
Em um episódio sobre a escrita de obituários da Expresso Ilustrada, os jornalistas Maurício Meireles e Isabella Menon foram a fundo investigar essa seção curiosa do jornalismo. Entre os achados que merecem ser citados está o caso do obituário de Oscar Niemeyer, que esperou mais ou menos 30 anos para ser publicado. Em casos como esse, o obituário é atualizado de tempos em tempos com as novidades da vida do personagem.
Por mais que se programar e escrever sobre a morte de alguém seja uma atividade na melhor das hipóteses esquisita, é parte fundamental do chamado jornalismo literário. Apesar da motivação da escrita desse tipo de texto, a beleza jaz no principal tema desse gênero jornalístico, que é o culto à vida e a história que a pessoa homenageada deixou no mundo.
Imagem: reprodução do Instagram





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