O fenômeno dos reality shows
- Sinapse Agência de Publicidade e Propaganda da UFPR
- 20 de jan. de 2023
- 2 min de leitura
Ao atingirem níveis massivos de repercussão, programas focados na “vida real” ultrapassam o caráter de entretenimento e a esfera televisiva
Por Erika Nascimento Boslooper
A experiência de consumir reality show no Brasil, se potencializou com o isolamento social advindo da pandemia do coronavírus. Ao ser acolhido como alternativa de passatempo, o gênero reviveu e passou a abranger diferentes nichos de mídias, públicos e mercados.
O consumo de conteúdos não-ficcionais segue uma curva de crescimento no mundo e, especialmente no Brasil e na América Latina, onde se destacam os realities. Uma pesquisa realizada pela empresa brasileira Behup revelou que, nos meses mais críticos da pandemia, mais de 80% dos brasileiros assistiram alguma atração do formato.
O modelo de programação também passou a ganhar cada vez mais espaço com o advento das plataformas de streaming, que ampliaram as possibilidades de consumo de conteúdo. Ao analisar os catálogos que conquistam a preferência entre os assinantes da Netflix por exemplo, ficam evidentes os títulos de realities como "The Circle Brasil", "Casamento às Cegas Brasil", "Brincando com Fogo Brasil", "Are You The One?" e "O Blefe de 1 Milhão". Porém, o gênero não se restringe à televisão ou ao streaming, e frequentemente ganha os Trending Topics do Twitter ao colocar em xeque múltiplas questões de pautas sociais, assim como, no Instagram, rapidamente, os participantes das atrações conquistam milhares de seguidores.
Desde 2020, o “Big Brother Brasil” (BBB), da Rede Globo, é, possivelmente, o maior exemplo de reality da TV nacional. O índice de engajamento das torcidas nas redes sociais e os altos níveis de audiência tornaram o programa um fenômeno. A fórmula do sucesso, se baseia na escolha de boas narrativas e um elenco diversificado, visando despertar o sentimento de identificação do público ao dar enfoque no dia-a-dia dos integrantes, e ainda incluí-lo nas decisões sobre o rumo da disputa, mas além do entretenimento, o programa também atua como um produto e serviço, evidenciado na exploração de inúmeras técnicas de marketing para atrair telespectadores e aumentar a visibilidade das marcas parceiras.
Um dos primeiros programas de televisão do gênero a ser exibido no país, foi o “No Limite”, em 2000, pela TV Globo, e desde então, surgiram diversas atrações dessa gama -pelo menos 63 edições, somente na TV aberta brasileira, segundo a revista Exame-, que não englobam apenas o conteúdo “vida real”. Segmentadas para abranger as mais variadas temáticas de interesse do telespectador, nesse meio tempo, as disputas adentraram, inclusive, as esferas musicais e gastronômicas, como é o caso dos programas “The Voice” e “Masterchef”, que em vários aspectos, oferecem destaque aos patrocinadores e adotam métodos de engajamento voltados às interações com o espectador.
Imagem: reprodução da internet





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